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Brasil em Desenvolvimento
O RS Pós Pacto e Agenda
Determinantes regionais: o agravamento da situação financeira foi um dos principais provocadores. Sem reformas mais profundas não haveria outro caminho senão continuar equilibrando as contas através de aumento de receita, inviabilizando a economia do Estado. O atingimento de um clima de razoável entendimento foi fundamental: acalmaram-se vozes extremistas que se dividiam na defesa do privatismo radical e o ranço de ideologias mofadas e autoritárias que não deram certo em lugar algum do mundo. Com essas condições, foram gerados a Agenda Estratégica (entidades empresariais), o Rumos 2015(executivo estadual) e o Pacto pelo RS (liderado pelo Legislativo).
As convergências para a Agenda e o Pacto - As iniciativas chegaram em sua hora e vez também pela influência de fatores globais: a integração crescente da sociedade através da economia de redes; o advento da Governança Estratégica e Conselhos de Desenvolvimento para viabilizar pactuações entre Governo, iniciativa privada e organizações representativas- existem iniciativas semelhantes em outros Estados e a tentativa de uma Agenda do Desenvolvimento nacional; a universalização de ferramentas de gestão popularizadas no setor privado e que começam a mudar, adaptadas, a gestão pública; os resultados gerados pelos grandes investimentos privados mundo afora que ancoram uma nova economia do desenvolvimento.
Os riscos na execução: O maior risco que o RS corria era o risco da falta de novidade. Esse está descartado. Riscos externos que podem deixar a Agenda e o Pacto como ficção são a deterioração das finanças públicas nacionais e a deterioração da conjuntura econômica internacional. Como riscos internos estão a desarticulação da Governança, ou seja, a perda do rumo na execução, a má integração com o Governo ou a volta da radicalização política.
Os recursos são escassos- alguns atalhos importantes: É ingênuo imaginar que conseguiremos implantar com senso de urgência todas as estratégias identificadas. É importante priorizar algumas iniciativas. Uma prioridade óbvia é a redução da despesa pública, principalmente com pessoal – implantação de tetos salariais para ativos e inativos que sejam mais compatíveis com a realidade do Estado - “estreitar” a diferença entre salários vexatórios de servidores como professores e profissionais de saúde e os privilegiados no Executivo, Legislativo e Judiciário que hoje acumulam remunerações muito acima da média dos executivos de empresas privadas de grande porte, sem estarem sujeitos a risco. Na área econômica, a continuidade da atração de investimentos-âncora que permita o adensamento de cadeias produtivas em diferentes regiões; a reconversão da atividade agrícola e incorporação acelerada da biotecnologia; e a criação de condições competitivas para atrair e desenvolver setores dinâmicos e intensivos em tecnologia, criando postos de trabalho de alta remuneração e evitando a fuga de profissionais qualificados para outras regiões do País e Exterior. Na Educação, aumentar, gradativamente, a remuneração dos profissionais e aprimorar a gestão. Como medidas mais imediatas, a implantação de unidades de excelência com acesso universal com princípios de internacionalização, uso de tecnologia e formação de recursos humanos de qualidade, a exemplo das SMART SCHOOLS da Malásia.
Os desafios estruturais na economia: Ameaças à atual estrutura econômica persistem e devem ser antecipadas: recuperar a logística, principalmente do corredor do Porto de Rio Grande; assegurar a dinâmica de setores modernizantes como o automobilístico e petroquímico; atentar para alterações na estrutura internacional de setores intensivos em empregos como o pólo calçadista e fumageiro.
Quem mais ganha ou perde: a Agenda Estratégica e o Pacto pelo RS são uma oportunidade única para o povo gaúcho, uma fase difícil que foi vencida. Quem mais vai ganhar ou perder com a concretização ou não das estratégias são os gaúchos mais jovens.
Gustavo Grisa
Reprodução autorizada mediante consulta ao autor.
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