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Tendências Internacionais
‘The World Is Flat’ - A Cara do Século XXI
De tempos em tempos, surgem alguns livros que nos ajudam a entender o contexto em que vivemos com maior clareza. Um deles é “The World is Flat” do jornalista norte-americano Thomas Friedman, premiado pelo não menos brilhante “Beirute a Jerusalém”, lançado no início da década de 90.
Ao contrário da maioria dos “globobos”, Friedman não busca super-teorizações mas simplifica o modo com que a globalização prática puxada pelas grandes empresas altera nosso cotidiano, e o quanto essas mudanças trazem elementos culturais permanentes para toda uma geração. Por trás desse entendimento está a explicação do sobe-e-desce dos diferentes países e grupos sociais em termos de situação econômica. Quem entendeu mais rapidamente essa nova realidade, saiu na frente e gerou riqueza.
Na prática, as empresas já fazem da globalização algo muito real, palpável e eficiente. E daí acontece, naturalmente a inserção de cada indivíduo nesse novo mundo. E é um movimento automático, transparente e até mesmo inconsciente, uma vez que não paramos todos os dias para pensar como o mundo está mudando. As cadeias de suprimentos e conhecimento inseridas em cada produto ou iniciativa transcendem com naturalidade as barreiras nacionais.
Friedman é especialmente feliz ao sintetizar os movimentos reais e palpáveis de globalização em 10 forças que colocaram o mundo todo na “mesma página” nos últimos 15 anos, praticamente:
1. A queda do Muro de Berlim e o lançamento do primeiro sistema Windows (1989)
2. O lançamento das ações da Netscape em bolsa de valores (1995)
3. Softwares gerenciais intercomunicáveis
4. Comunidades colaborativas auto-organizadas
5. Explosão do ‘outsourcing’ e o ‘bug do milênio’
6. Offshoring- busca de oportunidades e plantas de produção em todas as partes do mundo
7. Cadeia de fornecedores realmente global- evolução em conceito e produtividade
8. In-sourcing (co-habitação de empresas e competências na entrega de um produto)
9. Explosão no acesso ‘gratuito’ à informação (google, yahoo!, msn)
10. Aparelhos digitais, móveis, pessoais e virtuais (crescimento da convergência e ubiqüidade)
Como exemplo de suprema ironia (não está no livro de Friedman), os protestos anti-globalização puxados pelo Fórum Social Mundial apenas confirmaram o seu caráter globalizado, com a participação indireta de todos os elementos acima. A partir desses pontos, Friedman apresenta dezenas de exemplos de como a economia real e a vida das pessoas foi alterada por cada um desses movimentos. ‘The World is Flat’ é bom por que é simples, sintético e pouco delirante. Um bom e pragmático pontapé inicial para projetarmos as próximas décadas.
Gustavo Grisa
Reprodução autorizada mediante consulta ao autor.
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