Perfil
Brasil em Desenvolvimento
Tendências Internacionais
Agenda Estratégica para o RS
RS, Sem Medo do Futuro
Palestras e Entrevistas
Links

Contato

Tendências Internacionais

Biotecnologia: Aposta dos EUA


O que se está preparando nos EUA para assegurar a liderança na indústria biotecnológica traz alguns pontos interessantes para a atenção do Brasil e outros países em desenvolvimento. Um dos pontos principais de estrangulamento hoje é a questão da disponibilidade de capital, o capital de risco disponível para empresas em mercados emergentes ( o chamado ‘venture capital’).

Nunca houveram tantos novos produtos derivados de biotecnologia disponíveis no mercado, e nos anos 2006/2007 é esperado um impacto significativo em saúde e alimentação. Sendo assim, é natural que as empresas de grande porte acabem adquirindo empresas de menor porte. Existe um consenso de que o setor está atingindo massa crítica, portanto, pronto para concentração e distribuição internacional dos benefícios. Há expectativa de que em 5 anos a margem das indústrias no setor será bastante alta, e a participação dos produtos derivados de biotecnologia na indústria farmacêutica e de saúde deverá aumentar ano a ano.

O capital utilizado em financiamento para produtos biotecnológicos aumentou cerca de 20% no ano de 2004, aproximando-se a US$ 17 bilhões, segundo a revista Businessweek. Quase 80% dos investimentos em biotecnologia no mundo estão hoje concentrados nos EUA, que creditam ao seu futuro posicionamento nessa indústria a continuidade da produtividade de sua economia e liderança em nível mundial. Uma das soluções mais comuns tem sido o financiamento por parte de grandes empresas do setor de iniciativas de empresas de pequeno porte, com a garantia de domínio sobre o produto desenvolvido, obviamente. As empresas-âncora são consideradas fundamentais nesse processo, e são realizados contratos de opção de compra e recompra dos direitos no futuro.

Internacionalmente, pairam mais incertezas: como ficará a questão do acesso a esses produtos e desenvolvimentos, com os problemas de desrespeito a patentes em muitos países? Como poderá um país de menor parte desenvolver suas soluções sem a participação dos grandes grupos industriais que garantem o foco e a distribuição? A era da “micro-administração”, de centenas de empreendimentos pulverizados nos EUA, pelo menos, está terminando.

Um posicionamento obscurantista em nada ajuda. Mas não resta a dúvida de que a biotecnologia é mais uma frente de competitividade internacional, como houveram outras, que tende a premiar pioneirismo, foco e pragmatismo, e punir economicamente pouca objetividade, incompreensão e retórica desacompanhada de recursos e estratégia comercial. O temor é que aconteça com a biotecnologia o mesmo que aconteceu com a tecnologia da informação no Brasil, de certa forma: em vez de tomarmos uma posição dominante, nos posicionamos como seguidores. Em vez de uma grande base internacional de exportação e desenvolvimento, grandes compradores.

Na economia do conhecimento, os EUA largam na frente nesse 'round', enquanto o velho mundo industrial que conhecemos transiciona e o Brasil apenas assiste, num emaranhado de boas,difusas e desconexas intenções, muitas vezes carregadas de preconceito anti-capitalista.



Gustavo Grisa

Reprodução autorizada mediante consulta ao autor.

Comente esse artigo com o autor

Se você deseja receber periodicamente estes artigos, cadastre-se aqui.

Indique este artigo.

  Leia também o último artigo da seção Brasil em Desenvolvimento:

02/05/2010 - Como é Difícil Investir no RS

  Veja também:

29/03/2010 - O Fórum Urbano Mundial e o Futuro das Cidades
09/03/2010 - O Chile e a Reconstrução das Cidades
16/12/2009 - Copenhague e a Sustentabilidade Pop
13/04/2007 - Espanha: Como se Constrói uma Potência ?
16/03/2007 - Uruguai- A ´Sacudida´de Tabaré Vasquez
05/09/2006 - A Europa Expandida e Suas Preocupações
31/08/2005 - EUA Compensam Pequenas Empresas por Perdas Comerciais
21/07/2005 - ‘The World Is Flat’ - A Cara do Século XXI
18/05/2005 - Inteligência Estratégica em Governos e Terceiro Setor
27/04/2005 - A Dimensão ‘BRIC’: Um Novo Contexto Internacional
08/03/2005 - Um Certo Thierry Breton
23/02/2005 - A Sucessão no Banco Mundial
08/02/2005 - As Doze Lições de Robert Rubin
09/01/2005 - O Chile e o Choque de Internacionalismo
10/12/2004 - A Segunda Fase da Política de Alta Tecnologia da Índia
19/11/2004 - O Que Esperar do Segundo Governo Bush
29/10/2004 - Uma Liderança Fora da Média para a Europa
29/10/2004 - O Desafio Uruguaio
27/08/2004 - O Drama Mundial dos Jovens Desempregados
08/07/2004 - Investimento em Comunicações Integradas na Irlanda
20/06/2004 - Unctad, São Paulo: O Desalinho dos Não-Alinhados
04/06/2004 - CeBIT: As novas tecnologias garantem o crescimento
03/05/2004 - A Colômbia Possível de Uribe
12/03/2004 - A União Européia Vai para o Leste
27/02/2004 - Entendendo o Contexto de Índia e China
23/01/2004 - Portugal na UE: Navegar é Mais do que Preciso
19/12/2003 - O RS é a França do Brasil
05/12/2003 - Um Choque de Oportunidade para a Classe Média
21/11/2003 - Rússia: Crescimento Desordenado e Reorganização da Economia
07/11/2003 - Argentina: Pragmatismo Em Busca do Tempo Perdido
18/09/2003 - O Outro Lado da Influência Brasileira na A.L.
02/09/2003 - Howard Dean, Eleições nos EUA e o Brasil em 2006
02/09/2003 - Como a Turquia Está Retomando o Crescimento
19/08/2003 - A Gangorra Cambial, a China e a Competitividade Artificial
05/08/2003 - Competitividade: o México perde espaço para a China nos EUA
24/06/2003 - Irlanda e Canadá:Biotecnologia como Prioridade
10/06/2003 - As SMART Schools da Malásia
03/06/2003 - Bangalore (Índia) e a Aventura do Desenvolvimento (Parte II)
27/05/2003 - Inclusão Digital na Prática:As Cabinas Públicas de Lima
27/05/2003 - O Mercosul entre Mendoza y San Juan
20/05/2003 - A Realidade do E-commerce e o Desconforto dos Má-Notícia
13/05/2003 - A ALCA e o Tigre de Adenauer
13/05/2003 - Bangalore (Índia) e a Aventura do Desenvolvimento- Parte I
00/00/0000 -