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Inteligência Estratégica em Governos e Terceiro Setor


De tempos em tempos, governos e organizações do terceiro setor absorvem as melhores práticas de gestão da iniciativa privada e as aplicam, com graus menores e maiores de efetividade. Tem sido assim com o Balanced Scorecard e qualidade total, foi no passado com termos como ‘reengenharia’ e ‘desburocratização’.

Um dos novos desenvolvimentos em gestão que melhor se aplica à atividade de organizações com enfoque sistêmico (associações de classe, organizações de desenvolvimento e agências de governo de desenvolvimento econômico, tecnologia e comércio exterior) é a aplicação de metodologias de Inteligência Competitiva Sistêmica(focada em competição), ou Inteligência Estratégica(focada em decisões de impacto estratégico).

A metodologia de Inteligência, revisada dentro de padrões empresariais desenvolvidos durante os últimos 10 anos, se adapta bem às necessidades de tomada de decisão de Governo e terceiro setor, e traz duas características importantes: uma é preencher com eficiência o ‘vazio analítico’ dos tomadores de decisão, capacitando-os a empreender iniciativas e captar oportunidades antes de outros Governos ou organizações, outra é valorizar a inteligência interna e a capacidade analítica do ‘staff’, evitando a dependência exagerada de consultorias para o desenvolvimento de projetos estratégicos.

Um Núcleo de Inteligência ajuda um Governo, por exemplo, a melhor pensar a sua política de comércio exterior, desenvolvimento industrial e atração de investimentos, ao trazer a capacidade de analisar as perspectivas e conjuntura internacional e identificar os pontos de intervenção. Organizações do terceiro setor e Governos têm muitas vezes maior restrição de recursos que empresas da iniciativa privada, e precisam entender ‘o que não fazer’ antes de partir para ‘o que fazer”. Um trabalho bem feito de Inteligência Estratégica organiza a visão de mundo, prioriza os pontos críticos e favorece a ação fundamentada junto a organismos multilaterais, outros governos, iniciativa privada e comunicação social.

É uma prática que tem se valorizado em países como Canadá, Irlanda, Coréia e Índia, e que precisa ser rapidamente desenvolvida no Brasil, com profissionalismo e foco. O entendimento pragmático do ambiente externo favorece decisões que trazem uma certa marca de empreendedorismo e inovação, e têm no mundo de Governos e terceiro setor, fortemente baseados em percepção, um impacto potencial bastante significativo.




P.S. Para quem quiser conhecer um pouco sobre o desenvolvimento dessa área no Brasil e no mundo, está publicada no site www.scipbrazil.com.br apresentação que realizei na ESPM em São Paulo no último dia 19 de abril sobre o assunto. A melhor fonte de informações sobre a área de Inteligência no mundo é o site da Sociedade de Profissionais em Inteligência Competitiva, www.scip.org


Gustavo Grisa

Reprodução autorizada mediante consulta ao autor.

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