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A Dimensão ‘BRIC’: Um Novo Contexto Internacional


Há muito tempo nos perguntamos como o Brasil se inserirá no novo contexto mundial, que já está em marcha há um bom tempo. Das definições e tentativas de agrupamento existentes, a dimensão ‘BRIC’ é a que melhor explica nosso estágio no plano internacional nesse exato momento e nos próximos anos. Por trás da dimensão, as duas faces: as oportunidades que temos e os equívocos que temos que evitar.

Todos os quatro países- Brasil, Rússia, Índia e China – têm dimensões continentais com disparidades internas, exercem influência e liderança regional, têm um nível médio de renda per capita (Rússia e Brasil em um patamar, Índia e China em outro) e empreendem um esforço de integração ao mundo, consolidação de seu posicionamento regional e aumento da presença comercial em terceiros mercados (notadamente, nos EUA e Europa). Também disputam os grandes projetos industriais destinados aos países chamados de “emergentes” na década de 90. Talvez não sejam os países com as melhores condições sistêmicas de competitividade em suas respectivas regiões, mas importam por que têm escala, mercado consumidor interno e constituem um pólo regional.

Esses são e serão os verdadeiros pares, competidores do Brasil na arena mundial de competição nas próximas décadas. Disputam pelos melhores investimentos, pelos melhores acordos comerciais com os países desenvolvidos, e pelo melhor padrão de saída rápida do atraso social que todos apresentam, em determinado grau. Dos quatro, o menos traumatizado politicamente e engessado por questões culturais e religiosas, é, por incrível que pareça, o Brasil. O mais democratizado também é o Brasil. Também é o mais próximo a América (obviamente), mas também com identificação cultural para cooperações sul-sul com a África e alguns países europeus (alguns com barreiras culturais seculares em relação à Rússia).

Por outro lado, é o país que apresenta pior dinâmica de comportamento macroeconômico nos últimos anos, a despeito do avanço na segunda metade da década de 90. Se temos a vantagem da liberdade, da continuidade democrática e da inexistência de conflitos internos e externos graves, temos um índice de investimento em ciência, tecnologia e educação dos mais baixos. Nossa taxa de câmbio é uma montanha russa (sic), e a carga tributária a mais alta entre todos os países emergentes. Por outro lado, é bom considerar que o sistema tributário da Índia é caótico, e da China muito pouco se sabe. Isso facilitou muito a criação de Zonas Especiais para exportação e o ganho de margem em eletrônicos e hardware, por exemplo.

Um bom exemplo do papel desses 4 países na dinâmica econômica mundial é a telefonia celular: em 2004, o grupo BRIC foi o grande puxador de vendas em massa do setor – a China adicionou 65 milhões de aparelhos, a Rússia cerca de 30 milhões, a Índia 22 milhões e o Brasil, cerca de 19 milhões.

A dimensão BRIC é um elemento a ser considerado com mais ênfase nas análises micro e macro tanto de políticas de comércio exterior quanto de desenvolvimento industrial no Brasil no presente e nos próximos anos.


Gustavo Grisa

Reprodução autorizada mediante consulta ao autor.

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