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Um Certo Thierry Breton


Thierry Breton, até então Presidente da France Telecom, é o novo ministro da Economia e Finanças da França. Breton, relativamente pouco conhecido no meio empresarial e político brasileiro, tem um currículo digno de um “Felipão” da gestão estratégica. Mais do que um agitador ou marqueteiro, um agitador e marqueteiro com excelentes resultados por onde passou. Um realizador.

Breton foi um dos principais líderes da construção do Futurescope, uma espécie de cidade do futuro para o desenvolvimento de novas tecnologias, um parque temático ao mesmo tempo que funciona como um grande laboratório. Mas até então Breton poderia ser visto com reserva nos meios empresariais mais conservadores.

Mais tarde, por conta do controle acionário do governo francês sobre a Thomson internacional, empresa que desenvolve tecnologia de defesa e precisão na França e que é controladora dos eletrônicos RCA nos EUA, Breton revolucionou o grupo, que mudou o nome para Thales e reposicionou os negócios do segmento RCA. Financeiramente, os resultados da Thomson foram transparentes e com progresso inegável.

Há 30 meses atrás, Breton foi escalado pelo governo francês para uma missão bem mais espinhosa: recuperar a France Telecom, tida como um gigante letárgico e gravemente endividado. Depois de 30 meses, a France Telecom experimentou um crescimento vertiginoso em seu negócio de Internet, construído em torno do provedor Wanadoo, firmou o conceito de operadora convergente de telecomunicações na França e reduziu a sua dívida em mais de 35% (70 bilhões para 43 bilhões de euros), crescendo a receita ao mesmo tempo em que efetua um corte de despesas da ordem de 15 bilhões de euros em 3 anos . Ao mesmo tempo, o valor de mercado da empresa mais do que triplicou, de 18 para 57 bilhões de euros.

Agora, Breton tem o seu desafio mais complexo: como ministro da Economia, terá que administrar o déficit e a dívida pública da França, e assegurar que uma das economias menos competitivas da União Européia ganhe fôlego. Hoje a França parece aos olhos da Europa um gigante sonolento, que vive de nostalgia. Se existe um executivo com perfil para chacoalhar o governo francês, é Thierry Breton.

Resta saber se ele terá sucesso ao transitar em uma seara muito mais ambígua do ponto de vista político. Se fracassar, será um dos primeiros revezes em uma carreira vitoriosa; se tiver êxito, poderá ter fôlego para vôos políticos mais altos em um país que carece de novas lideranças capazes de colocar a França efetivamente no século XXI. O sucesso político de Breton será o sucesso de uma nova estirpe de administradores públicos, mais empreendedores, mais executivos do que políticos de palanque e com foco decisivo na construção do futuro.







Gustavo Grisa

Reprodução autorizada mediante consulta ao autor.

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