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A Sucessão no Banco Mundial


O Banco Mundial (BIRD) talvez seja, na prática, o organismo multilateral com maior influência sobre o processo de desenvolvimento nos últimos 50 anos. Pode-se dizer que é a maior agência de desenvolvimento do mundo, com inegável impacto positivo no desenvolvimento de países como o Brasil. Até hoje (desde 1946), todos os seus presidentes foram norte-americanos, indicados pelo Presidente dos EUA e ratificado pelo Comitê Executivo do Banco. Presidentes célebres foram Robert McNamara, George Woods (na década de 60), e o atual, James Wolfensohn, australiano naturalizado norte-americano.

O perfil dos presidentes do Banco Mundial passa longe do estereótipo do financista inflexível de Wall Street. Pelo contrário, o perfil desejado é de um político que transite com naturalidade no meio financeiro e que tenha boa formação cultural, visão de mundo, retórica humanista e experiência administrativa. Deve ter sensibilidade para lidar com os problemas dos países em desenvolvimento com naturalidade e diplomacia.

A novidade da sucessão de Wolfensohn é que, pela primeira vez, existe um lobby bem estabelecido pela escolha de um Presidente não-norte-americano, que possa lidar com maior naturalidade com a erradicação da pobreza no mundo, a missão declarada do próprio Banco.
Entre os candidatos com credibilidade internacional para o cargo, surgem as sugestões de Fernando Henrique Cardoso (feita pelo NYTimes em editorial), Ernesto Zedillo (ex-presidente do México), e os ministros das Finanças da Grã-Bretanha, Gordon Brown, e da África do Sul, Trevor Manuel.

O principal temor da comunidade internacional é que a escolha do governo norte-americano recaia sobre um funcionário de segundo escalão com uma inflexibilidade tecnocrática e pouca experiência política. Dentre os possíveis indicados de George W.Bush estariam um dos atuais sub-secretários do Tesouro dos EUA e até mesmo o representante comercial norte-americano Robert Zoellick, particularmente ‘adorado’ na América Latina. Existem outras soluções norte-americanas, como o ex-Presidente Bill Clinton, e presidentes das Universidades de Yale e Michigan State.

O que parece novo é a mobilização de parte da ‘intelligentsia’ norte-americana por uma maior multilateralidade do Banco, que pode resultar em novas direções na gestão e ganho de maior dinâmica no combate realista à pobreza no mundo. Em uma análise mais maquiavélica, líderes do Partido Republicano vêem nessa campanha ‘internacionalista’ uma tentativa de esvaziar a influência do Presidente Bush, ao tentar contingenciá-lo a uma escolha ‘independente’, ou com luz própria.




Gustavo Grisa

Reprodução autorizada mediante consulta ao autor.

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