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Brasil em Desenvolvimento
A Oportunidade do Governo Rigotto
Honrando suas tradições, o Rio Grande do Sul manteve a escrita da alternância no poder. O governo Rigotto entra sob expectativa de uma nova estratégia de desenvolvimento econômico para o Estado, que fatalmente não poderá ser a mesma dos últimos quatro anos. Também não poderá voltar ao modelo do período anterior (governo Britto), que posicionou-se oportunamente em uma conjuntura mais favorável de disponibilidade de investimentos internacionais e ciclo global de crescimento.
O padrão econômico atual do Estado, a despeito dos avanços de gestão em um grupo seleto de empresas desde o início dos anos 90, mantém em seu agregado dificuldades para distanciar-se do perfil de commodity, que traz incrementos sociais e de qualidade de emprego no mesmo nível – sem diferencial. Dentre os resultados destaca-se um vexatório êxodo de empresas e de capital humano, com a migração de profissionais e empreendedores em busca de novas oportunidades em outras regiões do Brasil.
Cidades, estados ou países que têm um projeto ajustado e sério crescem mais do que a média em qualquer tempo, em qualquer conjuntura. Mesmo que muitos pensem nas mesmas fórmulas e políticas simultaneamente, sucedem aqueles que passam da idéia à prática com maior rapidez e competência.
A modernidade de uma gestão está em adaptar-se ao momento e a suas contingências, privilegiando a construção do futuro e criando condições para que os planos se concretizem em prazo estrategicamente hábil. Na área pública, foi o caso da usina de Volta Redonda de Getúlio Vargas, do Plano de Metas de JK, da união pelo Pólo Petroquímico no RS, da privatização recente das telecomunicações no Brasil e da atração de investimentos industriais como General Motors e Dell em nosso Estado.
As iniciativas hoje bem-sucedidas de desenvolvimento no mundo têm uma linha que contempla também aspectos sociais e sistêmicos. Bons exemplos são o IT Task Force que está transformando a Índia num pólo internacional de produção de software, do Digital State Initiative no Estado de Utah(EUA), do redirecionamento econômico da Irlanda, do incentivo às comunicações e inclusão digital da Coréia do Sul.
Todas têm a característica comum de vinculação aos sete setores dinâmicos da economia mundial: Internet, software e hardware (incluindo semicondutores), telecomunicações, biotecnologia, automação industrial e informática de base, engenharia de novos materiais e indústria aeronáutica. Todas privilegiam a inclusão digital, a excelência educacional ,a reciclagem do ensino profissionalizante e contemplam novos arranjos de formação de capital: relacionamento pró-ativo com consórcios empresariais, ONGs de desenvolvimento e competitividade e agências internacionais como BIRD, BID e bancos de desenvolvimento de países europeus e Japão, hoje sintonizados com o desenvolvimento sustentável, limpo e socialmente inclusivo.
A despeito das dificuldades, uma leitura sensível das políticas mais avançadas de Governo no mundo mostra que a oportunidade é concreta. Se fugir das armadilhas da mesmice e da letargia em sua agenda de desenvolvimento econômico, o governo Rigotto tem todas as condições de devolver às mais novas gerações de gaúchos a esperança de construir o futuro com base em perspectivas, não somente em ilusões.
Gustavo Grisa
Reprodução autorizada mediante consulta ao autor.
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