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A Oportunidade de uma 'Nova Fronteira' para o RS


De alguma forma, os acontecimentos dos últimos meses envolvendo o pacote de aumento de impostos sacudiram o Rio Grande do Sul. E indicaram um novo padrão nas relações entre Governo e sociedade que poderá trazer frutos interessantes no futuro. Ao contrário do entendimento da política tradicional, que o poder político está na detenção do meio de intervenção, começa a ficar sedimentado o entendimento que o poder político só encontra ressonância quando aumenta a sua abertura à participação da sociedade. É a verdadeira sociedade participativa, de que tanto reclamávamos, a sociedade da participação com qualificação e arejamento.

Sem uma contribuição concreta da sociedade civil, fica difícil para qualquer governo inovar ou transformar, até por que não estão ali , por questão de prioridade, as maiores ilhas de excelência em estratégia e acompanhamento dos rumos do mundo. Esperar de um governo uma administração ao nível do alto calibre de multinacionais é tão ingênuo quanto esperar de uma empresa uma prioridade que não seja a rentabilidade financeira.Em ambos casos, o exagero levaria a um fracasso retumbante.

O que estava faltando ao Rio Grande era esse sentimento de complementação. Em um primeiro momento, essa participação das entidades empresariais, o próprio engajamento do cidadão médio contribuinte fica envolta em uma camada superficial de indignação, de oposição. A tendência é que, implantado o reinado do bom senso, essa indignação seja canalizada para a construção conjunta, uma vez que não existe outro caminho diante da dificuldade da situação de viabilizar o Estado como um prestador mínimo de serviços e catalisador de desenvolvimento.

Ao abrir o diálogo e os problemas, um Governo está, é bem verdade, tornando-se mais vulnerável. Mas essa vulnerabilidade é necessária em qualquer projeto corajoso de transformação. Quem não abre o leque,nada absorve. A oportunidade que estamos vivendo é a oportunidade de iniciar o caminho de uma nova relação social no Rio Grande, com maior co-responsabilidade de Governo e representantes da sociedade na construção do desenvolvimento. E isso poderá ter reflexos positivos nas eleições, no nível de preparação e profissionalismo dos Governos e também na necessidade de construção por parte das entidades representativas.

Basicamente, temos uma fronteira a ultrapassar hoje, no Rio Grande e em Porto Alegre: a chance de iniciar o caminho para uma fase de entendimento, desenvolvimento e busca de soluções internacionalmente reconhecidas e empreendedoras que ao ganhar força pode resultar em um processo de transformação a se estender nos próximos 10 ou 15 anos,como ocorreu com a Chile,com a Espanha, algo palpável uma vez combinados liderança política e qualificação profissional de programas.


Os desafios e as chances da nova fronteira do Rio Grande são três: resolver com coragem a questão da solvência do Estado, repartindo inclusive perda de privilégios, construir um projeto conjunto de desenvolvimento cosmopolita, internacionalizado e baseado no fortalecimento das empresas e incentivo aos segmentos de maior tecnologia e descolar-se da cena média brasileira por inovação e seriedade de implantação. Também precisamos sedimentar uma mínima projeção de lideranças para uma gestão qualificada do desenvolvimento do Estado nas próximas décadas. Quem quiser construir essa viabilidade,terá que aprender a compor.

Perdidas essas chances,feita a terra-arrasada, nos restarão as soluções políticas rasteiras, demagógicas e a cultura da derrota e da pobreza, com a constatação que vivemos, brigamos e pouco aprendemos. E volta e meia acabamos rodeados pelos mesmos problemas.










Gustavo Grisa

Reprodução autorizada mediante consulta ao autor.

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