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Tendências Internacionais
O Que Esperar do Segundo Governo Bush
Tenho visto muitos artigos na imprensa brasileira sobre quais seriam as expectativas do mundo e particularmente do Brasil para um segundo governo Bush. Em geral, o que vejo são sustentações apaixonadas que trazem determinado viés ideológico. Um dos caminhos para analisar essas perspectivas com tintas menos carregadas é centrar-se na história dos segundos mandatos dos presidentes norte-americanos; outra, é concentrar-se no perfil de sua equipe de governo.
Tradicionalmente, os dois primeiros anos pós-reeleição, e, particularmente, o primeiro ano, são o período de apogeu de um presidente norte-americano. É o tempo em que Nixon esteve na China, Reagan consolidou suas gestões para o fim da Guerra Fria e Bill Clinton sedimentou de vez as condições para o 'boom' norte-americano que se prolongou pelos anos seguintes. Da mesma forma, os dois anos finais têm a marca do calvário, seja político, seja pessoal. É a chamada “lame duck presidency”, que pode começar antes ou depois, dependendo do poder de articulação do presidente e seu partido.
Sendo assim, é de se esperar que nesse ano de 2005 Bush e sua equipe procurem acelerar os processos prioritários para seu governo, seja na área militar , seja na área econômica. É importante demarcar vitórias políticas nesses próximos 2 anos. Nos próximos 12 meses, Bush terá poderes praticamente ilimitados, dentro dos limites da Constituição norte-americana. Além de ter vencido as eleições, as venceu com autoridade.
Um traço provável desse segundo governo é menos discurso, menos cinismo e mais objetividade. Se por um lado, Bush tem a preocupação externa em ser o presidente de “todos”os norte-americanos, na prática recebeu um sinal verde para correr atrás de seus objetivos sem necessidade de tanta contemporização. É de se esperar menos discurso e mais prática, até pelo próprio amadurecimento da equipe de governo.
Alguns detalhes sutis devem ser particularmente observados:
- Zoellick no Banco Mundial – existe a possibilidade do representante comercial dos EUA assumir uma diretoria, ou até a Presidência do Banco Mundial. Nesse caso, os latino-americanos podem esperar um osso duro de roer pela frente. A intenção dos EUA esbarra nas reservas de outros países influentes no FMI.
- Condy Rice no Departamento de Estado – Rice deve fazer com linhas diretas o que Powell teve que fazer com alguns pruridos. A nova secretária é extremamente pragmática em suas ações e deve privilegiar as relações com o Oriente Médio e a Europa, em um primeiro momento.
- O aumento da influência da América corporativa – desde Bob McNamara, os executivos das grandes corporações têm servido aos Governos. A tendência é que o governo Bush busque mais executivos tanto para o primeiro quanto segundo escalões, imprimindo um ritmo de execução mais ágil aos programas, sempre procurando ampliar a influência das mesmas grandes corporações.
- ALCA e Brasil – pode acontecer um rebote no próximo ano e intensificação das ações para fazer a ALCA acontecer. Na prática, os acordos bilaterais que os EUA vêm fechando na América Latina já são uma antecipação. A grande chance para a ALCA são os próximos 18 meses. No caso de uma vitória de Kerry, teríamos um ou dois anos de trégua, até que a nova política se definisse.
Gustavo Grisa
Reprodução autorizada mediante consulta ao autor.
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