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Brasil em Desenvolvimento
O Brasil e o Mapa da Nova Economia
A grande novidade no cenário internacional não é tão-somente a aspiração a um papel mais efetivo no cenário da política de países como China, Índia e Brasil, mas a efetiva globalização dos setores de alta tecnologia. As vendas de tecnologia da informação na China, Índia, Rússia e Brasil devem crescer mais de 11% ao ano nos próximos cinco anos. Esses países também irão absorver a maior parte do próximo 1 bilhão de consumidores destes produtos nos próximos anos.
Além do gigantes internacionais, como Microsoft, IBM e Dell, empresas locais estão se fortalecendo e buscando presença mundial. Um dos desafios para a massificação da tecnologia da informação é o acesso às populações de baixa renda nesses países. Mas o potencial para consumo desses produtos é calculado de forma bastante simples: unidades familiares com renda superior a US$ 10.000 por ano. Apesar da cantilena do empobrecimento mundial e da manutenção de desigualdades mundiais, a população com esse nível mínimo de renda deve dobrar no mundo até 2015. Grande parte das tendências de mudança nas características dos produtos depende e tira proveito da inserção desses países como mercado consumidor e também produtores: design mais simples e montagem em módulos, precificação mais próxima de pagamento por uso do que investimento de capital, e novas empresas, principalmente chinesas e indianas, que têm se esmerado em “inspirar-se”nos desenvolvimentos realizados nos EUA, Japão e Europa.
O que antes era visto como interessante hoje é mandatório e até batido: o crescimento econômico dependerá das condições de crescimento para os setores de alta tecnologia, pois esses também são os grandes distribuidores de produtividade na economia. A novidade é que o Brasil parece aos poucos acordar de seu berço esplêndido. De todos esses países, é aquele que tem sido mais titubeante em assumir uma política efetiva de estímulo não só à tecnologia da informação, mas também à biotecnologia, educação à distância e novos materiais. Se intenção conta, pelo menos o ministro Furlan, do Desenvolvimento, tem se manifestado com veemência sobre a necessidade do Brasil queimar etapas na corrida da nova industrialização, como fez na semana anterior na revista norte-americana Businessweek. Começamos a mostrar para o mundo que temos pelo menos interesse em nos posicionarmos dessa forma. Temos alguns diferenciais interessantes, como nichos de excelência educacional , a posição no mercado latino-americano e um conhecimento do mercado de consumidores de renda mais baixa.
Mas falta educação profissional, investimento em infra-estrutura, maior profissionalismo, escala e integração nas empresas nacionais e incentivos efetivos e agressivos e atenção às leis de copyright. Temos que descer rapidamente da arquibancada para aproveitar essa janela de oportunidade. Planejamento não é apenas dar ênfase ao que é mais produtivo e premente. Uma vez que os recursos são escassos, também é desligar gradativamente a tomada do que já se sabe que não irá sustentar nosso futuro. Fazer isso sem política industrial específica, prática e simples, dentro das nossas condições sistêmicas- juros, impostos, logística- é confiar muito na sorte.E preparar-se para ficar assistindo, e reclamando....de novo. Em um mundo em que todos pensam na mesma coisa ao mesmo tempo, o desafio é ainda maior.
Gustavo Grisa
Reprodução autorizada mediante consulta ao autor.
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