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CeBIT: As novas tecnologias garantem o crescimento


Esta frase do economista-chefe da revista norte-americana BusinessWeek na conferência CeBIT da úlitma semana consolida o que especialistas em desenvolvimento econômico têm exaustivamente repetido nos últimos anos: apenas a vinculação a matrizes produtivas baseadas em novas tecnologias garantem crescimento econômico acima da média. E a este crescimento acima da média está vinculado o bem-estar das gerações futuras. Como gerar bem-estar aos mais jovens com uma matriz produtiva antiga, tão somente?

Se a lição é válida para as economias desenvolvidas, imaginem para os países em desenvolvimento, como eu acredito que o caso do Brasil – apesar dos pesares, um país em pleno desenvolvimento.As tendências de produtividade, agregação de pessoas e empresas, emprego, estão mudando. Com estas mudanças, surgem inúmeras oportunidades para quem se coloca conseguir sobressair-se da média.

O crescimento econômico sempre foi puxado pelas novas tecnologias e suas aplicações, em todos os lugares. Não há muita conexão com a macroeconomia. Aí, sim, entra um componente forte de vontade política, de política de desenvolvimento. Para ter uma economia saudável, é preciso ter novas tecnologias e ter gente as utilizando. O quanto mais conseguirmos ser donos dos royalties e do conhecimento, melhor.

Em geral, o desenvolvimento econômico acelerado acompanha diretamente o crescimento da economia como um todo. Na década de 90, a economia mundial cresceu muito, a dos países industrializados mais ainda no período 1996-2000, com a Internet. Após o ímpeto inicial, houve um certo arrefecimento, até por que era e é sempre necessário um tempo para assimilação cultural. Passada as ilusões de dinheiro fácil e estruturadas as empresas líderes, 10 anos depois temos o dobro do que era gasto com tecnologia pelas empresas em 1994, por exemplo. Ou seja, a “bolha” não se escondeu. Ela apenas saiu de forma diferente.

O motor de combustão interna foi inventado em 1860. As indústrias baseadas em petróleo já eram fortes em 1920. O mundo metal-mecânico comandou a economia global nas décadas de 1950-1960. A partir da década de 70, a microeletrônica começou a construir seu reinado, trazendo também uma mudança significativa no mapa econômico do mundo. Os EUA reagiram na década de 90, com a Internet e as economias de rede.

Oportunidades existem para países que souberem colocar-se à frente e posicionarem-se em indústrias como call center internacional, software, hardware, indústria aeroespacial, microeletrônica, biotecnologia e comunicações integradas. Mais do que isso, o benefício que essas noções de rede trazem para indústrias tradicionais, como vinícolas, e até artesanato.

Quem marcar passo, irá crescer menos. Essa é a história da economia, onde pode-se embarcar na via expressa ou não. É uma questão de saber entender o mundo e rapidamente integrar-se. É algo óbvio, unânime, mas que vem tarde diante da procrastinação que temos apresentado.

A propósito, o que a política industrial brasileira tem a dizer sobre esses setores? Temos o vício de esperar até que o óbvio caia de maduro em nossa frente.


Gustavo Grisa

Reprodução autorizada mediante consulta ao autor.

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