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Competitividade Sistêmica é o Melhor Caminho


Nestes dias de odes a um eventual Plano B na economia brasileira, um pouco de reflexão conclui que o Plano B pode ser um remédio muito mais perigoso do que a doença a que se propõe a curar. Um Plano B com bases expansionistas, heterodoxas e intervencionistas poderia realimentar a inflação e expor politicamente o Governo, além de colocar em xeque uma credibilidade junto à comunidade financeira internacional que o Brasil demorou anos para construir. Uma sintonia difícil de administrar.

Fica cada vez mais óbvio que o Brasil precisa é aprofundar-se em um outro tipo de Plano A. O problema não é decifrar a fórmula do desenvolvimento, mas sim ter maturidade para levar um programa modernizante a cabo, sabendo que os frutos apenas serão colhidos no médio prazo. Esperar de Planos B uma revigoração mágica de nossa economia é algo tão ilusório quanto o sujeito que espera ganhar na loteria ou enriquecer da noite para o dia.

Como ponto de partida, a noção de que as reformas realizadas durante o governo Fernando Henrique, incluindo as privatizações, não foram suficientes. Existe uma segunda fase de reformas que urgem, incluindo a modernização da infra-estrutura de transportes e logística, energia e tributação do sistema produtivo. Para isso, é preciso atrair investidores. É bem verdade que o cenário internacional não está para peixe, mas com a melhoria das condições sistêmicas de competitividade o Brasil pode seletivamente voltar a atrair empresas e investidores.

Estas condições sistêmicas são: desoneração tributária, ganho de eficiência da administração pública, condições regulatórias estáveis e transparentes, e principalmente um sistema de justiça e segurança pública confiáveis. Por si só, pode parecer um programa de governo inteiro e uma tarefa hercúlea. A simples sinalização da busca corajosa de melhoria das condições de fundo para a atividade econômica já despertariam o gigante da competitividade, um pouco adormecido neste momento. O Governo tem uma capacidade de mobilização única, mas apenas com o entendimento amplo de lideranças da Sociedade Civil de que é preciso colaborar, sugerir e formular o processo virtuoso se instaura. Um ganho de confiança no futuro do País pode trazer de volta o crescimento econômico, os ganhos de produtividade e consequentemente uma melhor distribuição de renda através do trabalho.

A receita não é nada original: ampliar as privatizações, ter a coragem de implantar tetos salariais realistas aos ativos e inativos, controlar a politização da máquina do Governo, tirar da Previdência a função de corrimão de quartel dos investimentos públicos, diminuir a carga tributária e implantar política industrial destinada à atração de investimentos e desenvolvimento de setores de alta tecnologia: biotecnologia, semi-condutores, indústria aeronáutica, software e comunicações integradas, trazendo junto a Educação profissional. Some-se a isso uma política qualificada de segurança pública e atenção ao sistema legal. Segurança não é só problema de polícia, mas também de economia e desenvolvimento.

Nada vindo de Marte, mas este é o Plano A plausível, sem ilusões. É o plano de fortalecimento de instituições e transparência.É o Plano da Competitividade Sistêmica. A Sociedade brasileira precisa entender e responder aos desafios dos anos 2000. Até agora, estamos parados em algum momento da década de 90, à espera de ajuda divina. A economia só reage com consistência a um sincero e contínuo choque de confiança.


Gustavo Grisa

Reprodução autorizada mediante consulta ao autor.

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