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Brasil em Desenvolvimento
Negligenciar Educação e Tecnologia é Exterminar o Presente
“Cada povo tem o novo que merece”
Nei Lisboa
Os princípios mais básicos da estratégia e do planejamento partem da necessidade de priorizar, ainda mais quando os recursos são escassos. Antes de se ter em mente o que fazer, é bom ter uma noção bastante clara do que não se deve fazer. Ao se deslocar energia e tempo a assuntos sem relevância, perdemos a hora e a vez das verdadeiras mudanças que se abrem através de janelas de oportunidade que não são permanentes. É óbvio que a economia e a própria sociedade são um sistema onde as mudanças ocorrem aos poucos. Em alguns icebergs de desenvolvimento, já chegaram há tempo. Em outros grotões, talvez nunca chegue naturalmente.Isso é parte do jogo. A competição mundial nestes setores não é assunto do eterno porvir, mas sim de um presente bastante real.
O preocupante é quando o mainstream dos recursos para o desenvolvimento não são alocados naqueles setores que efetivamente poderiam começar a alterar o perfil da economia. São os setores de alta tecnologia, que já não são mais modernos, mas o mainstream da economia hoje. Sem abdicar de alguns traços pré-industriais,ainda não desembarcamos na idade pós-industrial, continuamos impregnados de um mundo de engrenagens e dobradiças que é cada vez menor. As portas de entrada para o futuro são educação decente com alguns mínimos padrões de excelência e aporte de capital nos setores dinâmicos.
Enquanto conversamos, os outros agem. O bom da economia global é que não existem
limites para o que podemos ganhar. Mas também não existem limites para as oportunidades que podemos perder. Cada centavo investido em uma atividade econômica de baixo valor agregado é uma oportunidade de futuro perdida. Cada centavo economizado no orçamento de educação e a aridez de idéias que pontua esta área hoje é o sinal de que o início de século das oportunidades perdidas pode permanecer por algum tempo. Cada jovem profissional com educação deficiente e emprego de má qualidade constitui a face micro do drama macro de não saber para onde ir, de adicionar pouco à produtividade da nossa economia e colher como resultado um salário baixo.
É bom decidirmos logo se vamos ter algum projeto de relevância, seja empresarial,
federal, estadual ou municipal, de conjunção de educação com indústria de base tecnológica,ou vamos assistir a economia dos próximos 20 anos passar batida. A nossa falta de prioridade séria para educação,pesquisa e indústria de alta tecnologia vinculada a grupos empresariais internacionais é a prova de tacanhez máxima. Se os ganhos da economia de baixo valor agregado não forem direcionados para a economia de alto valor agregado, podemos esquecer ganho de produtividade e aumento de massa salarial.
Ou fazemos um pacto nacional pela educação e tecnologia para trazer melhores
empregos e uma matriz produtiva mais equilibrada ou continuaremos a viver uma estrutura paternalista, autárquica e aquele clima de eterno devaneio típico de quem não sabe o que quer. E cabe fazer a pergunta: qual é o novo que realmente queremos? Este debate é nacional, apartidário ,envolve e depende muito das lideranças da iniciativa privada. Faz muito mal para a auto-estima constatar que o novo que merecemos virá do presente da negligência que vivemos.
Gustavo Grisa
Reprodução autorizada mediante consulta ao autor.
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