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Como a Turquia Está Retomando o Crescimento


Nestes tempos de debates acalorados quanto à incerteza da retomada do crescimento econômico no Brasil é interessante observar, com a devida proporção e ressalvas de praxe, o movimento de inversão de tendência que está acontecendo na Turquia: de recessão severa em 2001 e 2002, a economia vem se recuperando e demonstrando perspectivas positivas de investimento para o futuro.

O principal motivador para as aceleradas reformas é a possibilidade de admissão na União Européia. Para isso, os turcos têm de cumprir uma série de requisitos relativos ao ambiente legal, política monetária e fiscal, os chamados Critérios de Copenhagen. O processo de admissão à UE iniciou-se em 1999, mas a crise política e econômica que o país sofreu a partir de 2001 atrasou o processo.

A produção industrial aumentou mais de 10% neste primeiro semestre, e as exportações cresceram 34% . A inflação, problema crônico, encontra-se sob controle, nos níveis mais baixos dos últimos 30 anos. Atualmente, a expectativa para 2003 é de inflação entre 23 e 25%. A taxa de juros ainda é alta, mas já caiu dos 150% anuais praticados até o ano passado. A dívida do Governo ainda é de 85% do PIB, mas parou de crescer. As expectativas e recomendações de investimento são massivamente positivas.

Para quem imagina que comportamento adequado do Governo pouco conta para readquirir confiança e voltar a crescer, grande parte deste sucesso tem sido creditado exatamente aos 9 meses de gestão do primeiro-ministro Recep Tayip Erdogan. Os temores de que um partido com raízes populistas não realizaria as reformas recomendadas pelo FMI como condicionantes ao pacote de US$ 16 bilhões não se confirmaram. Apesar de alguns representantes do Governo protestarem contra o FMI em público, a linha de ação tem sido quase que completamente convergente.

Após 2 anos de forte recessão, Erdogan entendeu que o ciclo econômico estava por reverter, e para isso bastava não criar maiores confusões. As seis razões básicas para a reversão de expectativas seriam:
- Consolidação do poder político, com uma linha de ação pragmática;
-A execução de reformas sob a necessidade de atendimento às regras da U.E., como a nova lei de falências e reforma do sistema de previdência;
-Cumprimento das metas do programa acordado com o FMI, incluindo o processo acelerado de privatização de refinarias de petróleo e indústrias de tabaco;
-Posição mais pragmática nas relações internacionais, incluindo uma distensão de ânimos com os EUA;
-Política monetária menos rígida em um ambiente de inflação negativa que possibilitasse a queda das taxas de juros.


A rápida inversão de tendências ocorrida nos últimos 3 meses significa não apenas a maturidade dos processos que vêm se desenvolvendo, mas também a reação cíclica de uma economia que encontrava-se em uma situação mais próxima da Argentina do que do Brasil. A novidade é o modo como ouve a rápida reversão da “malaïse”, ou seja, má expectativa, através da quebra de tabus históricos ao promover reformas e do entendimento político que uma linha pragmática e baseada na reconstrução da confiança internacional gera resultados.


Gustavo Grisa

Reprodução autorizada mediante consulta ao autor.

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