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Brasil em Desenvolvimento
Exercício de Análise de Risco Político– BRASIL 1S03
Apresentarei resumidamente alguns itens avaliados por métodos de Análise de Risco Político, procurando inserir um provável direcionamento (viés) do Brasil até o final deste ano, com base em métodos comumente utilizados.
O principal objetivo é demonstrar como uma Análise de Risco Político é estruturada , assim como alguns fatores considerados. Uma Análise de Risco Político é publicada apenas após o cruzamento dos prognósticos entre diversos analistas.
Utilizo como ponto de partida os sub- indicadores do ICRG (International Control Risk Group) para Risco Político, com uma simplificação da análise para 5 níveis de classificação. Como base do direcionamento, utilizei a sensibilidade hoje apontada por analistas de diferentes agências para o Brasil.
Escala de Condição de Risco: (simplificada em 5 níveis)
Positivo
Moderadamente Positivo
Neutro
Moderadamente Negativo
Negativo (processo de deterioração)
Escala de dinâmica para o próximo período
Estável – sem perspectiva de mudanças significativas nos próximos 6 meses
Positivo – com perspectiva de dinâmica positiva nos próximos 6 meses
Negativo- com perspectiva de dinâmica negativa nos próximos 6 meses
Vamos considerar dezembro/2003 como novo horizonte de revisão.
ANÁLISE DE RISCO
(1) Condições sócio-econômicas :NEUTRAS, viés NEGATIVO
A economia encontra-se estagnada, a inadimplência tem aumentado, e a renda real do trabalhador continua em queda. Índices de desemprego em crescimento. É importante não perder o horizonte de crescimento para investimentos de médio prazo.
Não existe, porém, uma condição de “malaïse”(inconsciente coletivo pessimista e desiludido com a situação sócio-econômica) caracterizada, como ocorreu na Argentina, em razão dos índices de desemprego se mostrarem relativamente moderados.
(2) Estabilidade do governo : MODERADAMENTE POSITIVA, ESTÁVEL
O Governo conta com base de sustentação no Congresso Nacional e índices satisfatórios de aprovação popular. Mesmo que o índice de popularidade sofra diminuição contínua, permanecerá em um nível razoável até o final do ano. Os grupos de pressão – empresariais, imprensa- têm demonstrado apoio ao Governo.
(3) Perfil de investimento – NEUTRO, viés NEGATIVO
Índice composto por:
Risco a Operações e Cumprimento de Contratos – MODERADAMENTE POSITIVO, viés NEGATIVO por conta da potencial perda de poder das Agências Reguladoras e não-conformidade pública do Governo Federal com teor de contratos.
Carga Tributária – MODERADAMENTE NEGATIVA, ESTÁVEL – Não se considera solução de curto prazo para a carga tributária brasileira.
Repatriação e Custos Trabalhistas – NEUTRO, ESTÁVEL – Não houveram novos empecilhos à repatriação de recursos, e novos custos trabalhistas não foram significativamente adicionados.
Crédito de Curto e Médio Prazo- MODERADAMENTE NEGATIVO, ESTÁVEL – As condições macroeconômicas não permitem uma diminuição significativa das taxas de juros.
(4) Conflitos internos – NEUTRO, viés NEGATIVO - A interpretação dúbia do direito de propriedade confirmada pela mídia e a posição ambígua do Governo Federal para com o Movimento dos Agricultores Sem Terra preocupa os analistas internacionais e pode acarretar em uma indicação negativa para o Brasil.
Este indicador representa o quanto um investimento pode sofrer prejuízos em razão de expropriação, nacionalização, confisco ou conflito civil. Pode acarretar a solicitação de seguros para investimentos junto a agências como a OPIC e MIGA, encarecendo a opção pelo Brasil. Os problemas ocorridos no Rio de Janeiro no últimos meses de abril e maio demonstram uma situação próxima a conflito civil, e mereceriam isoladamente uma classificação padrão NEGATIVO, nível comparável ao da Colômbia.
(5) Conflitos externos –POSITIVO, ESTÁVEL
O Brasil continua sem perspectiva de conflito militar externo considerável.
(6) Corrupção – NEUTRO, ESTÁVEL
Não houve deterioração neste aspecto, ainda que não exista perspectiva de melhoria deste indicador no médio prazo.
(7) Militares na política – POSITIVO, ESTÁVEL
A influência dos militares na política continua baixa, a atividade dos oficiais no Governo é profissional em suas áreas de atuação e conhecimento.
(8) Tensões religiosas- POSITIVO, ESTÁVEL
Não existem conflitos consideráveis de caráter e motivação religiosa no país.
(9) Tensões étnicas- MODERADAMENTE POSITIVO, ESTÁVEL
Não existem conflitos consideráveis de caráter e motivação étnica no país.
(10) Instituições democráticas- MODERADAMENTE POSITIVO, viés NEGATIVO
A repercussão de uma eleição universal sem fraudes e de um processo de substituição democrática de lideranças políticas ainda impressiona bem o mercado internacional. O Brasil só não foi elevado para “Positivo” pela fragilidade dos partidos políticos.
Recentes declarações e sinalizações dúbias do Presidente da República sobre o relacionamento com os poderes Legislativo e Judiciário preocupam os analistas, que podem vir a rebaixar o índice de risco do Brasil neste aspecto.As próximas ações serão acompanhadas com atenção.
(11) Qualidade da burocracia- NEUTRO, viés NEGATIVO
A burocracia brasileira é considerada melhor remunerada, qualificada e com melhor sentido de carreira do que a de outros países do mesmo nível de renda. A deterioração salarial e social do funcionalismo preocupa. Existem dúvidas sobre o nível dos profissionais atraídos para as carreiras públicas no futuro após as novas regras em discussão na Reforma da Previdência.
(12) Lei e Ordem – MODERADAMENTE NEGATIVO, ESTÁVEL
Fatos ocorridos no Rio de Janeiro nos meses de março e abril, assim como a repercussão do caso “Beira-Mar” contribuem para este índice permanecer com dinâmica negativa. O aumento dos índices de criminalidade nas principais cidades do país contribui para um índice crítico, com potencial de deterioração, mas não no curto prazo. A África do Sul possui indicador semelhante. A Colômbia, indicador inferior.
Gustavo Grisa
Reprodução autorizada mediante consulta ao autor.
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