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Brasil em Desenvolvimento
Como é Difícil Investir no RS
Mais forte do que o cansaço em ouvir essa afirmação desgastada, é a constatação de que, infelizmente, ela continua verdadeira e atual. Como último reforço, a polêmica recente sobre os investimentos no Distrito Industrial de Guaíba.
A partir da constatação que apenas o aumento de internacionalização e densidade empresarial a partir de investimentos âncora de grande porte reverte a tendência declinante da economia do Estado, o RS tem sido razoavelmente bem sucedido na atração de investimentos nacionais e internacionais já há algumas décadas, mas também é latente a enorme dificuldade desses investimentos se concretizarem. Seria natural haver disputa com outras regiões ou países, mas o que acontece aqui é uma contradição interna, uma verdadeira repulsa ao desenvolvimento de setores da sociedade, que traz um clima de dúvida ao investidor que, no mínimo, atrasa o investimento, se não o coloca em dúvida. E o investidor é, por tradição, escaldado em relação a esses problemas.
A incerteza não ajuda em nada o Rio Grande.Como se já não bastasse a lição da Ford, ainda sobra a invasão da Aracruz há alguns anos, a discussão em torno da faixa de fronteira com o investimento da Stora Enso, e outras celeumas, muitas de última hora, criando um clima de confusão, incerteza e improviso.
É claro que não somos uma terra de primitivos, que querem investimentos a qualquer custo, sem atentar para a sustentabilidade social e ambiental. Mas as discussões e dificuldades que são colocadas na concretização desses investimentos muitas vezes extrapolam o razoável e chegam, em alguns casos, a ser folclóricas.
Os que trabalham contra o desenvolvimento do Rio Grande sabem que o clima de incerteza é suficiente para inviabilizar um investimento.
Risco político é todo fator externo capaz de desencorajar ou colocar em risco um investimento em determinada região ou País, ocasionado por ação de governo, sociedade organizada ou pela falta de organização do território. Nesse aspecto, temos nos superado na capacidade de criar fatos de risco político, a partir de uma disputa da política menor que extrapola o razoável e confunde o sucesso de governos específicos, que vêm e vão, com os interesses da sociedade, que são permanentes.
Um RS em que os interesses da sociedade e uma visão moderna e sustentável de economia não suplantarem e repudiarem com clareza as disputas políticas e as visões minoritárias, corporativistas e radicais continuará a ser um Rio Grande em triste decadência. É importante que o investimento de Guaíba se concretize, assim como todos os outros que estão em processo de formação. A próxima década será decisiva para as ambições do Brasil e do Rio Grande do Sul no próximo século.
Definirá se passaremos de vez de um Estado de lamentadores para um Estado de realizadores, de um Estado em que interesses menores prevalecem para um Estado em que os interesses da sociedade e do desenvolvimento se sobrepõem em um ambiente democrático.
E que não se ouça mais essa afirmação- tão antiga, tão retrógrada, quanto verdadeira.
Gustavo Girsa
Reprodução autorizada mediante consulta ao autor.
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