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Copenhague e a Sustentabilidade Pop


A conferência COP-15 de Copenhague poderá não ter a conseqüência prática e imediata que muitos esperam, mas sem dúvida marca a consolidação de uma nova era em termos de repercussão de mídia e atenção de políticos, jornalistas e empresários. Se os anos 90 e 2000 foram décadas pautadas pela globalização, 2010 prenuncia uma década da sustentabilidade, ou seja, a emergência de um novo modelo de desenvolvimento, com novo jargão, retórica e arcabouço de discussões.

Apesar de estar emergindo desde a década de 70, o tema demonstra uma maturidade, que espera-se, não seja um ápice, em tempos de spam de atenção curto nas questões mundiais. Caso não ocorra evolução nas soluções, o tema poderá esmaecer.

A década de 2010 ser entendida como a década da sustentabilidade para os formadores da opinião mundial não necessariamente significa que teremos uma aceleração na adoção de políticas e práticas que levem à reversão de situações críticas no âmbito ambiental, social e econômico. Mas significa que a retórica e a lógica da sustentabilidade deverão permear cada vez mais as grandes decisões globais.

Afora o tema tornar-se “pop”, há espaço para algumas conclusões e projeções de um mundo pós-Copenhague: uma delas é a dissipação da influência norte-americana nas decisões mundiais, forçado a consensos internacionais que antes eram vistos como não prioritários, em um mundo cada vez mais multipolar.

As questões de metas e financiamento continuarão a desafiar os atores da política e economia global, pois a necessidade de financiamento é pesada em um momento pós-crise econômica. Os modelos de governança e arranjos público-privados deverão evoluir, também como forma de desatravancar o nó financeiro para levar os programas da teoria para a prática.

O Brasil encontra-se uma posição favorável, com um certo protagonismo, em que a sinalização ao mundo com soluções práticas e de consenso poderá acarretar um ganho de espaço diante dessa nova temática que deverá continuar a ser prioritária nos próximos anos. Por isso, é importante avançar em iniciativas como o Fundo Amazônia.

A desnacionalização de algumas questões, em novos arranjos transnacionais, regionais e locais também é uma realidade. O efeito-demonstração de projetos de desenvolvimento sustentável em determinadas cidades e regiões deverão continuar a ser bem aceitos, e pautar essa ânsia mundial por soluções que possam ser escaláveis.

O mundo pós-COP-15 consagra temas como governança, sustentabilidade, cooperação e desafia em termos de financiamento e alocação de recursos. A discussão sobre desenvolvimento, agora sempre considerado nas vertentes ambiental, social e econômica nunca mais será a mesma. Ganharão os países, regiões, cidades e lideranças que souberem melhor entender essa realidade e agir com soluções práticas e convergentes.



Gustavo Grisa-Economista e sócio-diretor da Agência Futuro

Reprodução autorizada mediante consulta ao autor.

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