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Brasil em Desenvolvimento
O Rio Grande Não Pode Parar
Por enquanto, o que há de fato é uma crise política constante, uma instabilidade interminável e estranha: governa-se com maioria e sob fogo cerrado desde o primeiro dia. Assim como muitos outros gaúchos, o que vi até agora são acusações não documentadas: há uma expectativa por essa documentação. Obviamente, o tempo e os fatos demonstrarão, ou não, a sua procedência.
Caso realmente existam provas factuais das acusações , seria uma vergonha inominável para o Rio Grande do Sul. Caso não apareçam provas factuais, também é uma vergonha inominável para o nosso Estado, talvez ainda mais grave do ponto de vista institucional, pois caracterizaria uma tentativa de inviabilizar politicamente figuras importantes de nossa elite política. Ou é uma situação inadmissível por improbidade administrativa de fato, comprovada, ou é inadmissível por um modo truculento de fazer política. O que muda é o fiel da balança, para que lado politicamente a verdade, quando revelada, e se revelada, pesará. De qualquer forma, em termos de imagem, é constrangedor e não ajuda a avançar sobre as reais questões do Rio Grande.
Como pano de fundo dessa situação que se apresenta desde o início do governo Yeda está o fato de que as ações para desenvolver o Rio Grande do Sul evoluem menos do que deveriam, em razão de toda a conturbação política. O atual governo montou uma equipe técnica e de secretários com qualidade, e tem um propósito, um plano desde o primeiro dia: esse plano é executado em meio a uma montanha-russa de acusações, crises de relacionamento e reações a práticas inéditas para a política do Rio Grande, no sentido negativo. O fato é que, por todas essas razões, a despeito de avanços consideráveis em muitas áreas, o Rio Grande do Sul caminha para completar mais um período de governo em que a tão sonhada reversão do ciclo econômico, de voltarmos a ser impulsionadores do desenvolvimento, não é atacada com a articulação necessária.
Mais um período em que a sociedade está desunida, os corporativismos embarreram reformas e mais um período em que o relacionamento federativo não é dos melhores. É importante entender que acima da conjuntura política e dos fatos políticos está a premência do enfrentamento e reversão da crise estrutural gaúcha, tanto econômica quanto de modernização administrativa.
Esse enfrentamento, essa reversão, não pode parar, independentemente de quem estiver no próximo governo ou mandato. Deve-se construir sobre o que se avançou. Não é o governo A, o governo B, o governador A, o governador B. É o nosso Rio Grande do Sul. É diante dessa dinâmica que o povo gaúcho deveria saber cobrar e reconhecer os seus governos, pela sua visão estratégica e execução dessa estratégia. As nossas cidades, regiões, continuam trabalhando e necessitando reposicionar-se. Alguns de nossos setores econômicos continuam a clamar por reconversão.
Há uma agenda a se cumprir, ainda mais em meio a uma recessão econômica. Temos que correr atrás do tempo perdido, atrás do mundo que muda todos os dias, não nos conformar com as resistências aos avanços. Com ou sem crise política, mata-se um leão por dia no Rio Grande que trabalha, empreende e quer prosperar.
Gustavo Grisa
Reprodução autorizada mediante consulta ao autor.
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