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Brasil em Desenvolvimento
RS: A Hora e a Vez da Agenda Econômica Positiva
O Rio Grande do Sul tem passado por um turbilhão nos últimos anos, que, ao contrário da percepção dominante, nem sempre traz aspectos negativos, ou é predominantemente negativo. Muitas questões estruturais, antigas, têm sido questionadas e há algumas revoluções silenciosas acontecendo. Uma delas são os investimentos que vêm se concretizando e novos investimentos que têm sido captados. Além dos empregos e benefícios diretos, o estratégico são os encadeamentos e as compras internas, tangíveis e intangíveis, que esses investimentos trazem.
É uma pena que não tenhamos recentemente conseguido a Toyota? É uma realidade, mas a vida segue e temos que entender que temos concorrentes, e concorrentes de peso. É óbvio que se tivéssemos a Ford, além da GM, teríamos outro nível de atratividade. Mas há três dados importantes sobre o padrão dos novos investimentos que têm acontecido no Rio Grande: um, extremamente positivo, é o seu caráter descentralizado, contemplando diferentes regiões, e, principalmente regiões economicamente deprimidas. Os empreendimentos agroindustriais têm o particular potencial de integrar pequenos produtores em uma atividade com padrão de renda, profissionalismo e continuidade, o que é importante. Outro dado importante é que há uma certa continuidade em uma postura "pró-business", após um período em que o Rio Grande ficou maculado como um Estado ranzinza ao investidor, principalmente internacional.
O terceiro aspecto não é assim tão positivo: a região metropolitana ainda se ressente de um projeto econômico mais ambicioso. Uma das vocações parece clara: serviços qualificados em torno de uma indústria de alta tecnologia. Pólos como o Tecnopuc, o Pólo da Unisinos, são belíssimas iniciativas, mas ainda tímidos diante do potencial de uma região que pode pensar em despontar setorialmente em termos de América Latina. Não apenas em informática, mas também na área de biotecnologia.
O financiamento para esses projetos, a partir de um alívio e do ganho de eficiência das finanças públicas estaduais, poderia vir através de um fundo específico, para fomentar atividades econômicas de alta tecnologia, assim como investimentos em capacitação profissional – escolas técnicas específicas, ou investimento e modernização das atuais escolas, sistemas de bolsas – um fundo que poderia se chamar RS Futuro, por exemplo. O Rio Grande tem que estancar o êxodo de talentos. Temos que potencializar as vocações e criar condições para que setores estratégicos cresçam. Temos que aproveitar o bom momento do mercado de commodities para completar nosso parque agroindustrial. Fortalecer e sofisticar pólos como o vinícola, vítima da concorrência e da tributação mal planejada, e que solidificou realidades belíssimas como o Vale dos Vinhedos. E ampliar a internacionalização, também no setor de serviços e educação, mesmo diante da difícil conjuntura em que temos nossos setores exportadores penalizados há muitos anos, quase que sistematicamente.
O Rio Grande é o único Estado brasileiro a ter símbolos de produção no Palácio do Governo: as esculturas de Paul Landowski reafirmam a nossa vocação. Vencidos alguns desafios de ordem política e financeira, é necessário avançar rapidamente na sofisticação de nossa economia. Muito mais importante do que simplesmente praticar agressividade tributária é um investimento constante em construir “quality of place”, ou seja, atratividade de uma região, globalmente, construída a partir de redes, infra-estrutura, cultura e qualificação de pessoas.
Mantermos os pés no chão, fincados em nossas tradições e na austeridade, significa também olharmos para nosso futuro e agirmos por ele. A agenda econômica positiva está já em curso, apenas pode e deve ser intensificada e direcionada, para que possamos afirmar a vocação "pró-business" , garantir oportunidades de qualidade à atual e futuras gerações e enterrar de vez os traços de ranço e provincianismo.
Gustavo Grisa
Reprodução autorizada mediante consulta ao autor.
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