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Tendências Internacionais
Bangalore (Índia) e a Aventura do Desenvolvimento- Parte I
Bangalore (Índia) e a Aventura do Desenvolvimento – Parte I
No dia de hoje (13/05), a Intel, maior fabricante mundial de chips, declarou que investirá US$ 41 milhões de um total de US$ 100 milhões em um centro de design e desenvolvimento de novas gerações de processadores. A empresa já tem um centro de desenvolvimento no país há cinco anos, assim como Motorola e a IBM. A qualidade dos engenheiros locais, salários bem menores do que os praticados no Ocidente e o domínio da língua inglesa são apontados como vantagens, além dos incentivos oferecidos pelo Governo da Índia.
A notícia acima foi veiculada nos principais veículos de comunicação do mundo no dia de hoje, e vem se juntar a inúmeras notícias de investimentos de empresas ligadas à Tecnologia da Informação na Índia nos últimos 2 anos. Agora estamos acompanhando os resultados, mas o interessante é analisar as diferentes fases da “IT Initiative” naquele país.
O Governo e as lideranças empresariais da Índia souberam atrair as principais empresas do mundo e fazer com que tecnologia de ponta se desenvolvesse em um país com condições operativas muito inferiores ao Brasil. A série “Bangalore e a Aventura do Desenvolvimento”, apresentada nas próximas 3 semanas, tratará desse caso mundial de sucesso em transformação acelerada de uma matriz produtiva.
Na parte I, trataremos dos diagnósticos, da inteligência por trás da formulação da política e dos pontos de intervenção básicos da “National IT Task Force”, incluindo os fundos financeiros.
Na parte II, o foco será no caso de empresas-âncora específicas, na estratégia por trás dos investimentos dos grandes grupos, na matriz tributária específica e no desenvolvimento dos recursos humanos locais.
Finalmente, na parte III, serão demonstrados os resultados que já estão transformando a região de Bangalore em um dos principais pólos mundiais de tecnologia da informação, e como estão acontecendo os programas de extensão social dos benefícios econômicos para a região.
(Agradecimentos especiais a Vishal Bohra)
Parte I – O Plano e a Articulação
Em maio de 1998, o Governo da Índia instituiu a National Task Force in Technology and Software Development. Essa força-tarefa teve a incumbência de formular uma política nacional de informática para transformar a Índia em uma superpotência global na área de informação e tecnologia.
As áreas de foco são cinco: computadores (hardware), telecomunicações, eletroeletrônicos e mídia, mas, principalmente, o desenvolvimento da convergências entre todos esses setores.
A coordenação da Task Force ficou a cargo do Sr. Jaswant Singh, diretamente apontado pelo Primeiro-Ministro, e com status de primeiro escalão no Governo daquele país. Foram selecionados especialistas indianos para trabalhar em diversos grupos temáticos e um “Grupo de Visão”, formado por especialistas indianos e internacionais, para auxiliar na formulação de longo prazo.
INITIAL BLOW - Fases fundamentais de execução da política:
1. Entendimento de como funciona a logística do e-commerce no mundo- como custos de mão-de-obra e escala influenciam.
2. Benchmarking com os principais países competidores e potenciais competidores – identificação de oportunidades e de pontos fracos a serem trabalhados.
3. Restrições de Planos Urbanos foram removidas: empresas de software com até 25 colaboradores podem se instalar em áreas residenciais.
4. Identificação do “Bug do Milênio” e a entrada do Euro como típicas JANELAS DE OPORTUNIDADE = estratégia de entrada rápida em mercados de nicho, e como fazer isso através de consórcios nacionais.
5. Promoção das Exportações de Software e TI, com INTELIGÊNCIA DE MERCADO sobre o desempenho das principais empresas e condições logísticas de exportação nos países líderes.
a. Desenvolvimento de portal para vendas diretas de produtos indianos e condições de distribuição compatíveis.
b. Promoção comercial agressiva de software produzido na Índia junto a formadores de opinião nas empresas.
6. Promoção de serviços auxiliares ao mercado de TI : “call centers”, criptografia, digitação, entrada de dados, aproveitando a condição competitiva do custo de mão-de-obra. O objetivo é atingir US$ 10 bilhões nesse mercado até 2008.
Medidas Práticas Adotadas:
- subsídio à participação em feiras internacionais e road shows, demonstrando a capacidade da Índia para esses serviços.
- Subsídio e estímulo à certificação internacional de serviços do gênero desempenhados na Índia.
- Propaganda em mídia internacional promovendo a transferência desses serviços para a Índia ( junto a grupos internacionais de mídia).
- Isenção fiscal à exportação desses serviços.
- Redução de impostos de importação de equipamentos para o desempenho desses serviços.
7. Estímulo à formulação de conteúdo para consumo interno.
8. Formação de Cidades Globais do Software: o objetivo é que cada Estado da Índia tenha a sua cidade do software. Um Centro de Excelência em TI para cada uma dessas cidades, assim como as melhores condições logísticas e operativas, como conectividade de telecomunicações em classe mundial, suprimento de energia e condições de meio-ambiente das cidades. Em um primeiro momento, 5 cidades no país são a meta. Bangalore já havia se distanciado na liderança quando da instalação da Task Force.
9. A “Cidade Inteligente” : para atrair especialistas de todo o mundo e os melhores da Índia, um ambiente adequado para trabalhadores do conhecimento deve ser desenvolvido: a primeira Cidade Inteligente seria desenvolvida nos areredores de Hyderabad, com cerca de 10.000 h a, e implementada por um consórcio internacional de construtores. A cidade seria planejada, e deveria ter linhas futuristas e integradas ao meio-ambiente.
RECURSOS FINANCEIROS
1.O Banco Central da Índia estruturou regras para linhas específicas de bancos comerciais para projetos de TI, assim como trouxe profissionais para auxiliar os bancos comerciais a avaliar os projetos enquanto viabilidade econômico-financeira.
2. As Caixas Econômicas regionais financiariam em princípio apenas empresas que já se encontram em funcionamento.
3. Um fundo especial deveria ser imediatamente constituído por um “pool” de bancos privados para uso exclusivo de empresas de software As indústrias exportadoras de software deve ser tratada como setor prioritário por instituições financeiras e bancos.
4. Um outro fundo especial deverá ser estabelecido pelo Governo da Índia, o mesmo valendo para os Estados que quiserem liderar o processo..Foi estimado um valor mínimo de US$ 500 milhões para fundos de venture capital até 2003.
5. Fundos de Marketing: Fundos de marketing na forma de 50% de auxílio direto (não-reembolsável) devem ser desenvolvidos pelo Governo com metodologia similar ao EXIMBank dos EUA.
6. Distribuição de ações: Os empregados indianos de empresas estrangeiras terão direito a ações das empresas, em dólar.
7. Fundo de Estímulo do Conselho Nacional de Desenvolvimento de Software: órgão de viabilização dos investimentos-âncora: autoridade para fornecer “soft loans” e auxílio para instalação.
Gustavo Grisa
Reprodução autorizada mediante consulta ao autor.
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