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Desmoralização do Congresso: O Silêncio dos Inocentes?


Escrevo como cidadão e contribuinte. Não tenho conhecimento de ciência política para uma análise mais profunda. Mas me enoja, e muito, quando uma pessoa diz que “os políticos são todos ladrões”. Mais ainda, quando na ficção os representantes da classe política são invariavelmente apresentados como egoístas, chantagistas, arrogantes e corruptos. As generalizações nunca deixaram de ser perigosas.

Uma pequena parcela dos executivos de empresa, médicos, jornalistas, professores, advogados, juizes e religiosos não necessariamente prima pela ética ou seriedade profissional. São realidades com que as organizações e as representações profissionais têm que lidar. Não existem profissões “vestais”, onde todas as pessoas que as exercem estariam livres de qualquer falha de conduta humana. Sendo assim, não é de se surpreender que existam políticos, e, particularmente, congressistas, mal intencionados, ou no mínimo, oportunistas.

O diferencial em relação a todas essas profissões que citei não é a existência de desonestos, mas a impunidade e facilidade de repetir as más práticas, estimulados pelas regras e corporativismo. Um mau executivo, um mau médico, é , via de regra, execrado por seus colegas e meio, quando não pela própria lei. O mau congressista, o mau prefeito, o mau governador, não necessariamente.

O Congresso não é formado majoritariamente por crápulas e despreparados de toda sorte, mas por suas regras anacrônicas, muitas vezes parece que sim. Principalmente pela pouca coragem de congressistas que são pessoas não perfeitas, virgens vestais, mas gente honesta e trabalhadora como qualquer um de nós, em posicionar-se e fazer valer a sua voz. Estão acuados, acomodados. Seria o silêncio dos inocentes? Quem cala, estaria consentindo, ou apenas se escondendo?

Os parlamentares que têm “desmoralizado” o Congresso não surpreendem pelo seu histórico administrativo e político. Quem vive o dia-a-dia dos corredores do Poder sabe razoavelmente bem quem é quem. Com raras exceções, há de se notar nos envolvidos com escândalos os prodígios empresariais mal explicados, escolhas esdrúxulas de suplentes, assincronia entre renda declarada e padrão de vida e histórico de mudanças de partido e de convicção.

A desmoralização do Congresso como instituição não interessa aos brasileiros.Mas uma instituição depende, obviamente, das pessoas que a compõe. Para resgatar a representatividade e a credibilidade do Congresso como ator fundamental dos rumos do País, o único caminho é aprovar o fim da imunidade parlamentar por crimes comuns, o fim da troca de partido durante o mandato, a adoção da lei de nepotismo em todos os cargos no Legislativo até determinado grau, correção de vencimentos pela inflação e a mudança nas regras de designação de suplentes.

Não há outro caminho seguro senão a regeneração do sistema por dentro do próprio sistema. Não há como o Congresso ser melhor do que o País que representa, mas não pode ser pior.



Gustavo Grisa

Reprodução autorizada mediante consulta ao autor.

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