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Economia do Conhecimento:Por que Demoramos Tanto?


O que era um diferencial em termos de posicionamento estratégico e mais tarde uma oportunidade para aqueles países que entendessem os pontos críticos para atrair e fomentar as indústrias intensivas em tecnologia – tecnologia da informação, biotecnologia, desenvolvimento de materiais, design, entretenimento e conteúdo, hoje é uma fórmula que tornou-se quase commodity. Mais fácil de ser executada por países de pequeno porte do que países maiores, que acabam por privilegiar algumas regiões que têm melhores condições de operação que permitam economias de escopo. Por isso algumas decisões são mais simples para o Chile ou a Irlanda do que para o Brasil ou Índia.

A Índia é um país que escolheu claramente priorizar a tecnologia da informação, e é doloroso para quem alertava há seis, oito anos atrás que o Brasil deveria procurar iniciativas como a National IT Task Force indiana constatar que nada ou muito pouco foi feito até hoje. A economia do conhecimento, hoje é quase consenso, é uma saída viável de priorização de investimentos para países com renda média – como Brasil, África do Sul e grande parte da América Latina. Mais ainda para países como a Espanha, que já entendeu esse jogo há muito tempo.E também é óbvio que, a despeito de um certo mercado interno, a liderança e diferenciação internacional será limitada àquelas países que sediarem empresas que conseguirem se posicionar regionalmente , e para isso as estruturas tributárias também devem ser adequadas: na economia do conhecimento, o grande efeito multiplicador são as redes de serviços de qualidade construídas em torno dos profissionais de alto valor agregado e suas subcontratações. A sofisticação da matriz econômica significa a atração de profissionais com perfil mais alto de remuneração e exigência cultural e de padrão de consumo. Aí está um dos segredos para que as cidades que conseguem concentrar esses investimentos tenham um salto qualitativo importante. Políticas públicas, através de legislação e algumas ações pontuais, podem incentivar a ampliação do mercado, como a inclusão digital acelerada e o incentivo à biotecnologia no agronegócio.

É algo óbvio, básico, mas que parece difícil de se entender no contexto brasileiro: a demora em criar condições mínimas de entrar-se de vez na economia do conhecimento. Seja com uma mínima adequação da tributação, seja com a atração agressiva de empreendimentos-âncora de grandes empresas do segmento no País, que geram contratações locais, aliadas a programas consistentes de estímulo ao empreendedorismo especializado nesses setores. Ainda vai um outro passo importante: a concentração de excelência em educação e treinamento, com centros de referência com padrão internacional. A integração com o ensino médio com a implantação de ‘smart schools’ ou escolas técnicas de tecnologia da informação e biotecnologia são urgentes. Se não é possível fazer isso em todo o País, que se faça em algumas regiões. Mas chega a ser doloroso o quanto exterminamos o nosso futuro ao não direcionar com senso de urgência alguns dos benefícios da matriz econômica atual na construção da economia do futuro enquanto todo o mundo faz isso.

Por que demoramos tanto, avançamos tão lentamente? Por que, seja por desorganização, seja por falta de entendimento, estamos no fim da fila da economia do conhecimento? São respostas difíceis de se encontrar, e se repetem ano a ano em um horizonte de menores oportunidades. O Brasil – governo, empresariado organizado, universidades -continua a não perder a chance de perder chances. Por isso também crescemos pouco. E crescemos mal.


Gustavo Grisa

Reprodução autorizada mediante consulta ao autor.

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