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Agenda Estratégica para o RS
II - Desenvolvimento e Risco Político
O investidor internacional é o gato mais escaldado do processo de desenvolvimento. Foge de governos corruptos, incompetentes, baixa estabilidade regulatória, e instituições pouco sólidas como um gato foge de um balde de água fria. Da dependência do capital externo e das idas e vindas na convivência com esse capital externo vem parte da crônica entre a aceleração e a retração do processo de desenvolvimento. Basta verificar o processo de crescimento econômico dos países desenvolvidos e dos países em desenvolvimento neste século. Enquanto os países desenvolvidos apresentaram um padrão de crescimento homogêneo de seu PIB per capita, multiplicado na média por 2 em 100 anos, os países em desenvolvimento demonstram casos de estagnação total até uma multiplicação por fator superior a 5 (o caso da Coréia do Sul). Na raiz da irregularidade está a administração melhor ou pior dos fatores sistêmicos de competitividade.
O Fator Piratini
O risco político envolve não apenas a disposição de um governo em cometer excentricidades, mas também a disposição e capacidade de um governo em promover o desenvolvimento. O governo do Estado tem um papel importante, por ser talvez a maior força mobilizadora presente especificamente no Rio Grande.
Mas a noção de que o Palácio Piratini, seus ocupantes, assessores e principalmente as idéias e vontades que o habitam são responsáveis pelo que acontece de bom ou ruim no Estado é um exagero de pretensão do formulador de política pública e uma acomodação matreira do cidadão.
Os Governos Estaduais são responsáveis por cerca de 20% do que avançamos em termos de desenvolvimento em um mandato de governador. Os outros 80% continuam sendo resultado de uma conjunção LIDERANÇAS DA SOCIEDADE + EMPRESAS + CONJUNTURA NACIONAL/INTERNACIONAL. Porém, exatamente por fazer a parte "final" da equação do desenvolvimento, porém, que o Fator Piratini é fundamental. E as posturas dos governos se situam em três padrões:
a)Postura Neutra/Pró-Cíclica Neutra - A grande maioria dos Governos situa-se em um padrão neutro, em que se posiciona entre boas intenções e o incêndio do dia-a-dia, e coloca-se entre a omissão e a benevolência, vendo com bons olhos e procurando ajudar, ainda que pouco, o desenvolvimento econômico.
b)Postura Contra-Cíclica - Algumas administrações, felizmente poucas até hoje, conseguiram a peculiaridade de agir negativamente para o resultado desta equação, contaminando o entusiasmo dos outros agentes e jogando contra o desenvolvimento e o bom-senso. Acredito que não vem ao caso nominar o exemplo negativo, até por que a memória recente do povo gaúcho parece ser boa.
c)Postura Pró-Cíclica Ativa - Finalmente, alguns governos conseguiram quebrar a mesmice e colocar o Rio Grande à frente da velocidade em que roda o mundo, trazendo uma dinâmica à frente do ciclo mundial de desenvolvimento no período. Essa conjugação feliz, de fatores externos favoráveis e administração empreendedora, ocorreu algumas vezes, mas com menor freqüência do que poderíamos ou deveríamos.
Em suma, o Fator Piratini ajuda o RS a caminhar atrás, na mesma velocidade ou aa frente de outros governos no Brasil e no mundo. É mais um fator a somar na equação final da competitividade, e em grande parte depende da capacidade de trânsito, credibilidade e mobilização do Governo na sociedade local, nacional e internacional.
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